d ' ACHA
da luta
sábado, 25 de janeiro de 2025
segunda-feira, 9 de dezembro de 2024
Professor Mendes
No 31º aniversário do Centro de Dia de S. Miguel d' Acha.
No âmbito do aniversário do Centro de Dia de S. Miguel d’ Acha, (criado a 1-10-1991), hoje, 2 de Outubro de 2022, aconteceu uma pequena festa onde participou o Grupo de Cantares de S. Miguel, houve um teatro de sombras realizado pelos utentes e Directora técnica do Centro, com a locução de Fábio Superbi de uma história de José Saramago e cenário de Manu Romeiro.
Foi uma festa simples. Foi agradável e emocionante assistir à participação dos nossos “maiores”... Como os anos passaram! Como se fica tão dependente! Como é necessário haver quem cuide com afecto! Como eles são sensíveis a quem os trata bem !
Antes encontrei o Sr. Prof. Mendes com quem falei. Falou-me da criação do Centro de Dia. Foi ele com o P. Luís que foram à Segurança Social em Castelo Branco para tratarem da criação do Centro de Dia. A segurança Social acabou por contribuir para a criação do Centro de Dia com o financiamento de setenta contos (mais do que os cinquenta contos que estavam previstos).
Foi assim que o CD pôde iniciar a sua actividade no Salão Paroquial. Só posteriormente passou para as actuais instalações.
Entretanto o Prof. Mendes falou-me do tempo escolar. Dos alunos que lhe “passaram pelas mãos”, houve alguns que ele considerava bons alunos. Um deles fui eu. Fiquei emocionado e agradecido por ouvir estas palavras vindas do meu professor do 1º e 2º ano, que me ensinou a ler e escrever e me abriu as portas do mundo. Como lhe estou grato!
Como lhe agradecemos ter dedicado toda uma vida às pessoas mais frágeis de S. Miguel: as crianças e os idosos!
O Sr. Professor António Mendes faleceu em 2-12-2024.
domingo, 3 de março de 2024
"As cantigas são tantas, que a mim até se mudam"
1. "As cantigas são tantas, que a mim até se mudam", é o nome da exposição de Filipe Faria inaugurada no dia 18/11/2023, no Centro Cultural Raiano, com a participação musical de Fátima Torrado Milheiro. O evento integra o Programa "Fora do lugar".
2. É também um livro com as fotografias da exposição de Filipe Faria e uma longa entrevista a Fátima T. Milheiro.
Como é referido por Filipe Faria no belo livro sobre o evento, é possível que o som nunca se extinga e se tivéssemos uma máquina que o captasse - como dizem que dizia Marconi - podíamos ouvir esse som sempre que quiséssemos.
"Podíamos ouvir tudo. Ouvir a primeira inspiração dos nossos filhos e dos nossos pais. Ouvir o primeiro grito da Humanidade, cada sermão, conselho sábio ou riso de todas as gerações. Ouvir o som grave da primeira erupção ou o canto agudo daquela ave que escapou para longe. Todos nós podíamos ouvir tudo. Ouvir tudo, para sempre.Depois de produzido, o som não morria mas perdia poder, enfraquecia. Estas ondas sonoras, fracas, sem destino preciso, permaneciam eternamente a flutuar. Qualquer som podia, em teoria, ser recuperado. Ouvido pela primeira ou pela enésima vez. Qualquer som de qualquer lugar ou tempo passado. O primeiro e o último. Um som perdido podia ser ouvido, novamente, com o equipamento certo. Um equipamento poderoso. Um que conseguisse ouvir e escolher. Um por inventar.Todos os sons são sons perdidos… "
Alguns sons são especiais. Podemos lembrar o som da fala da mãe, do pai, dos irmãos, dos amigos, dos que nos amam muito e também dos que não gostam de nós. Há um som particularmente importante: O som do meu nome. O nosso nome, o nome de uma pessoa é o som mais importante e doce de qualquer linguagem. (Dale Carnegie, Como fazer amigos e influenciar pessoas)
O som pode ser ruído, experiência desagradável, e ferir, literalmente, os nossos sentidos. De resto, o som ajuda no equilíbrio da mente. É dessa forma que os bebés pacificam, com uma canção de embalar, e não só os bebés, basta ouvir, por ex., Lullaby de Brahms para nos acontecer a mesma serenidade. Sobre a origem da angústia infantil, escreve Freud sobre um pequeno rapaz de três anos: "Um dia em que ele se encontrava num quarto sem luz, ouvi-o gritar: 'Tia diz -me qualquer coisa, tenho medo porque está muito escuro.' A tia respondeu-lhe: 'De que é que isso te serve se não me podes ver?' 'Isso não tem importância', respondeu a criança; 'desde que alguém me fale, há luz.' ". (Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, p. 166)
3. As memórias destes sons fazem parte desta história e são elas que dão colorido aos registos que permanecem connosco por gerações.
4. A exposição esteve patente ao público até final de Dezembro. Era bom que conforme então se perspectivava que na Primavera de 2024 a exposição pudesse ser visitada no local onde estes sons nasceram - S. Miguel d'Acha.
sexta-feira, 1 de março de 2024
Meditar à minha maneira
Por esta altura da Quaresma acontecem actividades várias um pouco por todo o País que outra coisa não são que formas de meditação profunda.
Na nossa cultura, o tempo pede essa reflexão sobre nós próprios, requer a concentração na vida efémera, no sofrimento que nos atormenta mas, por mais atroz que possa ser, também se oferece como forma de superação.
Este é o tempo, quando pensamos nesta vida, que nos traz momentos de felicidade mas que nos alerta para todo o background que marca a nossa existência, a começar pelo sofrimento psíquico, medo, tristeza, stress, irritações e injustiças...
Então é possível procurar momentos de serenidade, paz, segurança, o conforto comigo próprio, que se não for felicidade não deixa de ser um estado verdadeiramente tranquilo em que "nada me perturba, nada me espanta" (Sta Teresa D' Ávila), nada interfere na minha vida .
Os benefícios da meditação são verificáveis na medida em que as pessoas que a praticam são mais felizes e vivem mais satisfeitas do que a média. E isto é muito importante para a sua saúde:
- Reduz as perturbações mentais como a ansiedade, a depressão e a irritabilidade
- Melhora as relações interpessoais
- Ajuda no impacto que podem ter doenças graves na nossa vida como a dor crónica... etc.
É necessário desfazer alguns mitos:
- A meditação não é uma religião embora muitas pessoas que a praticam possam ser religiosas.
- Podemos meditar em qualquer lado e em qualquer posição. Para praticar, não é necessário sentar-se numa posição especial ou respirar de maneira específica.
- E, muito importante, “a meditação não é aceitar o inaceitável. É ver o mundo com maior clareza permitindo-lhe agir de forma mais sábia e fundamentada e mudar aquilo que precisa de ser mudado.”(Williams, M. e Penman, D. - Mindfulness - Atenção plena, Lua de papel, p.16)
A “Ladainha” e o “Terço cantado” são manifestações de meditação que se realizam em S. Miguel d’ Acha e que são levadas a efeito todas as 5.as e 6.as feiras da Quaresma.
Rezar e meditar não são a mesma coisa mas têm uma ligação muito forte, podendo até ser assimiladas uma à outra.
Podemos dar a esta forma de meditar a designação de Meditação guiada ou Meditação cantada. O mantra “Rogai por nós” ou a repetição do "Pai nosso", p.ex., levam-nos, como refere John Main, para “um modo de oração profunda que nos encaminhará para a experiência da união, longe das distracções superficiais e da autocomiseração.“
“O fundamental é exercitar a focalização da mente num ponto, num objeto, pensamento ou atividade em particular, visando alcançar um estado de clareza mental e emocional.“ (Meditação cristã: como surgiu e como praticar)
Como tal, também o fundamento da meditação cristã é contemplar diferentes aspectos da vida de um Ser exemplar que se oferece como modelo para a nossa vida.
Esta possibilidade está à disposição de quem quiser meditar durante 30 minutos às 5.as feiras e durante uma 1H30 às 6.as feiras durante o tempo da Quaresma.
Até para a semana.
domingo, 26 de novembro de 2023
Da Arte e das Tradições que nos pacificam
"O programa deste concerto, organizado pela ADEPAC, no âmbito lançamento do Cancioneiro da Música Tradicional de São Miguel d'Acha tem em vista a apresentação ao público de algumas das modas da nossa terra. Muitas delas são, aliás, frequentemente cantados e difundidas pelo Grupo de Cantares Tradicionais de São Miguel de Acha, mas outras foram sendo musicalmente trabalhadas por vários autores.Daí que a escolha e ordenação do programa tenha recaído em canções cujas melodias e temas já foram objeto de elaboração e tratamento musical, nas variadas perspectivas encontradas, por forma a que com esta metodologia de apresentação, o público possa perceber as muitas abordagens musicais possíveis sobre temas idênticos e verificar que a música tradicional é passível de merecer a mesma consideração que a chamada música erudita.Assim, incluem-se, desde logo, arranjos de Fernando Lopes Graça (para piano solo, piano quatro mãos, canto e piano, vozes e orquestra) de algumas modas que ele próprio recolheu na nossa terra, arranjos de Jorge Croner de Vasconcelos (para canto e piano, de duas modas anteriormente também aqui recolhidas por Constantino Varela Cid), bem como vários arranjos de um conterrâneo nosso, Joaquim Gonçalves (para vozes e piano e/ou instrumentos) e de seu filho Diogo Gonçalves (canto e piano e vozes e instrumentos), de canções igualmente recolhidas em S. Miguel.E tendo em vista a consecução destes objetivos, o Programa executado por conhecidos e credenciados intérpretes nacionais (um conjunto vocal de vozes iguais, a soprano Maria João Sousa, os pianistas Leonor Cardoso e Paulo Oliveira, um ensemble instrumental - sopro e cordas), além do Grupo de Cantares Tradicionais de S. Miguel de acha, de ACEPAC, também sobejamente reconhecido no âmbito dos executantes de música tradicional na região das Beiras, atualmente dirigido por Eduardo Gonçalves.Por fim, é devida uma palavra de agradecimento à Paróquia de São Miguel de Acha, na pessoa do P. Martinho Lopes Mendonça, pela disponibilidade manifestada para a realização deste Concerto na Igreja Matriz de São Miguel de Acha."
quinta-feira, 23 de novembro de 2023
Beirã
Quero ir à tua terra, beirãOnde correm fios de águaEntre goivos e hortelãEnsina-me a distinguirO melro da cotoviaNunca soube o que era ouvirO galo a anunciar o diaTília trevo e açafrãoErva pura pimentãoLouro salsa e cidreiraUrze brava e dormideiraVou pedir para me levaresAo teu mais secreto atalhoPara lá de hortas e pomaresEntre pólen e orvalhoRevela-me os teus segredosAs geleias e os licoresQuero contigo aprenderCheiros ervas e floresTília trevo e açafrãoErva pura pimentãoLouro salsa e cidreiraUrze brava e dormideiraVai fiando a tua rocaDe adágios e tecidosQuero ouvir da tua bocaOs assombros mais antigosSou um pobre cidadãoPerdi o fio de mimUm bichinho do betãoQue nunca viu o alecrimTília trevo e açafrãoErva pura pimentãoLouro salsa e cidreiraUrze brava e dormideiraCarlos Tê/Rui Veloso