quarta-feira, 29 de março de 2023

sábado, 7 de janeiro de 2023

A minha Varykino


Qta do Rossio, S. Miguel d'Acha


Varykino. Jivago tem agora tempo para se dedicar a escrever algumas notas sobre assuntos vários.

"Que felicidade esta de trabalharmos para nós mesmos e para os nossos, da manhã até à noite, de construirmos um abrigo, de cultivarmos a terra para dela tiramos as nossas subsistências, identificar o nosso próprio mundo, como Robinson, de imitarmos Deus criador do Universo, e de renascermos, de nos renovarmos em cada hora que passa, como um filho que acaba de sair das entranhas da mãe. 
Quantos pensamentos, quantas novas reflexões surgem no espírito enquanto as mãos estão ocupadas no trabalho físico, muscular, de cavar a terra ou de pregar um prego: ou então, quando decidimos tarefas razoáveis, de fácil solução que nos enchem de alegria e de orgulho; e ainda: quando num trabalho ininterrupto de seis horas conseguimos reduzir a vigamento um possante tronco de árvore ou, sob um céu nu que nos queima com seu hálito benfazejo, cavamos a terra… E mesmo que esses pensamentos, essas intuições, essas metáforas não sejam logo  transportas para o papel e, porque fugazes, sejam esquecidas, não constituiu isso uma perda mas antes houve um ganho. E tu, anacoreta da cidade, obrigado chicotear tua imaginação e teus nervos enfraquecidos com o tabaco e o café forte e negro, tu ignoras o mais poderoso de todos os narcóticos: a necessidade real e uma saúde de ferro. 
Não pretendo ir mais longe, não proponho nem a renúncia de Tolstoi nem o regresso à terra, não penso mesmo em corrigir o socialismo graças a uma nova solução do problema agrário. Verifico apenas um facto sem pretender erigir em sistema aquilo que me aconteceu a mim. O exemplo de cada um de nós é sempre discutível e não permite que tiremos conclusões de ordem geral. A nossa vida material é feita de elementos muito diversos. Só uma parte reduzidíssima da nossa subsistência - os legumes e as batatas - provém do trabalho das nossas mãos. O  resto promana de outras fontes." (p. 299-300)

Sempre que regresso a S. Miguel, penso em Varykino, descrito por Jivago, descrito por Boris Pasternak. O branco da neve pelo verde da erva. De resto, o mesmo sentimento.











sábado, 17 de setembro de 2022

Lendas e Contos da Aldeia


"No dia 17 de setembro de 2022, pelas 20,30 H, na sede da ADEPAC – Largo de Sto. António, São Miguel de Acha, Fábio Superbi, narrador e pesquisador, vai ser protagonista de uma tertúlia, “Lendas e Contos na Aldeia”.

“Lendas e Contos da Aldeia”, tem por base, livros de autores (septuagenários) filhos da aldeia, como, António Milheiro, Joaquim Folgado Rascão, João Coelho Milheiro, João Alberto Bentes, Carlos Teixeira e outros como por exemplo a jovem poetisa Carina Anselmo.

Estas tertúlias culturais permitirão dar voz as histórias e tradições presentes em S. Miguel de Acha ao longo de gerações. Fábio Superbi, após pesquisa e leitura atenta das obras, fará serões com base em alguns contos dos livros citados e outras histórias recolhidas pela aldeia. Atuará igualmente na qualidade de mediador junto do público, interagindo e convidando todos os que queiram comentar e partilhar as suas histórias.

Deixe-se embalar por este movimento e participe nesta e noutras tertúlias que vamos organizar."




sábado, 3 de setembro de 2022

"Alguma coisa", em marionetas



 

"Fábio Supérbi, marionetista e contador de histórias, apresenta o espetáculo de marionetas “Alguma Coisa” em São Miguel de Acha, no próximo dia 3 de setembro, pelas 20h30.

Trata-se de um espetáculo poético, voltado para as crianças e toda a família, que terá lugar no adro da Igreja Matriz.
“Alguma Coisa” é um espetáculo sobre o interior, os campos e as pessoas que aí vivem, o seu trabalho na terra e a sua relação com os animais.
Mas é também uma obra sobre os sonhos. Um espetáculo que propõe um olhar mais profundo sobre lugares de tanta simplicidade e, ao mesmo tempo, de tanta força.
Terminado o espetáculo os presentes e os potenciais interessados poderão inscrever-se no atelier que Fábio Supérbi orientará, com o objetivo de promover a aprendizagem das técnicas de elaboração de marionetes.
O grupo de participantes conjuntamente com o marionetista encerrarão o atelier com a criação de um espetáculo que será apresentado ao público em data a combinar.
A iniciativa é uma organização da Heliodora e da ADEPAC – Associação de Defesa do Património Cultural de São Miguel de Acha, com o apoio do projeto “Gente Raiana” do Centro Municipal de Cultura e Desenvolvimento de Idanha-a-Nova, do Município de Idanha-a-Nova e da Junta de Freguesia de São Miguel de Acha."

Beira News )



quinta-feira, 15 de julho de 2021

"Rejubilas: Fartura..."


Rejubilas: Fartura da colheita
após o mudo tempo de uma espera
em que o teu sangue ardeu dentro do peito
e em que viste florir brejos     desertos.

Quanto tremor exigem as palavras
às vezes tão vulgares de simpleza
para serem com laços acendradas
e para terem voz de limpidez.

Se o campo for hostil e pouca a água
não forces por inútil o silêncio
mas faz agir as tuas mãos contritas.

E é na certeza que o vivaz milagre
irá acontecer: os regos densos
de fluidez e a terra a produzir.

António Salvado, Repor a luz.






Quinta do Rossio