sábado, 3 de dezembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
Em 1944...
Ouvi falar muitas vezes desta demanda. Corria o ano de 1944. O que acontece é que o meu padrinho, Raúl Casqueiro de Sá, assim como os trabalhadores da Casa do Dr. Alberto podiam ter outra história.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Os que viveram uma vida generosa
- Então, é melhor ser uma estrela? - quis saber Lydia.
- Sim, é bem melhor: as estrelas têm a mesma paz que os que vivem aqui, mas, além disso, e como foram generosos na vida, têm o privilégio de continuar a assistir à vida cá de cima. Vêem a Terra à distância, mas como se lá estivessem. Vêem aqueles que amavam e que deixaram lá em baixo, vêem as montanhas e as planícies, sentem o calor do Sol, o cheiro do mar e o perfume das flores, ouvem a música que vem da Terra, sentem os sabores sem terem de comer, sentem a extrema felicidade de assistir a tudo sem angústias e sem medo de morrer, porque já estão mortos, embora continuem a desfrutar à distância desse milagre cósmico que é a vida no planeta Terra.
Lydia ficou uns instantes a pensar no que tinha ouvido. Lembrou-se então do seu pai, que morrera dois anos antes e que fora um homem bom e o mais justo que ela conhecera em toda a sua vida.
Miguel Sousa Tavares, O Planeta Branco, Oficina do Livro, pag. 73 e 74.
sábado, 16 de abril de 2011
Ai quem me dera ter outra vez cinco anos
A infância
O menino cantava; sua mãe, no leito, agonizava,
Extenuada, a sua fronte na sombra pendia;
E sobre ela, a morte numa nuvem vagueava;
E eu ouvia a canção e escutava a agonia.
Tinha cinco anos o menino, e junto à janela,
Um claro som de riso e de jogos se erguia;
E a mãe, ao lado da criança doce e bela
Que todo o dia cantava, toda a noite tossia,
A mãe sob as lajes do claustro foi dormir;
E o menino voltou a cantar…
A dor é um fruto que Deus não faz surgir
Num ramo frágil demais para o suportar.
Paris, Janeiro de 1835
Victor Hugo, Poemas, Assírio & Alvim
(Tr. Manuela Parreira da Silva)
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Qual é o fim de tudo ?
Qual é o fim de tudo ? a vida ou a tumba ?
A onda que nos sustém? Ou a que nos afunda ?
Qual a longínqua meta de tanto passo cruzado ?
É o berço que embala o homem ou é o seu fado ?
Seremos aqui na terra, nas alegrias, nos ais,
Reis predestinados ou simples presas fatais ?
Ó Senhor, responde, responde-nos, ó Deus forte,
Se condenaste o homem apenas à sua sorte,
Se já no presépio o calvário se anuncia
E se os ninhos sedosos, dourados pela manhã fria,
Onde as crias vêm ao mundo por entre flores,
São feitos para as aves ou para os predadores.
24-3-1837
Victor Hugo, Poemas, Assírio & Alvim
(Tr. Manuela Parreira da Silva)
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