sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A classe de minha mãe

 
A classe de minha mãe

Não sei a data da fotografia mas não estarei muito errado se disser que deverá ser do início do Estado Novo.
Muitas leituras possíveis. As dificuldades económicas são bem visíveis. Mas era também um tempo em que ir à escola constituía um imenso bem pessoal e social. Era o tempo em que havia escola nas aldeias, como em S. Miguel d' Acha.
Uma vida de sacrifícios, de luta para cuidar dos filhos.
São as minhas, as nossas, heroínas...
Merecem o nosso respeito, a nossa solidariedade, o nosso afecto. E também a nossa prioridade nas respostas sociais.

Todos sabemos, pela nossa experiência e pelo que vemos, ouvimos e lemos diariamente, que as prioridades das  pessoas ficam para segundo plano em relação à propaganda. Mas é tempo de ser justo com quem, na parte  final da sua vida, merece que lhe demos os cuidados dignos de seres humanos.

O centro social - residências e "centro de vida assistida" - continua sem qualquer função. Os anos vão passando, e, por este andar, nem para os mais novos vai ter qualquer utilidade.

Assim se estraga este país. Gastou-se dinheiro, de todos nós, na construção do equipamento referido para ficar às moscas, a degradar-se...

domingo, 3 de outubro de 2010

Assistam ao "Centro de vida ... assistida"

Dos 10 milhões e meio de euros do orçamento do Município de Idanha-a-Nova para 2010, foram inscritos na rubrica Lares de 3ª idade - Espaço intergeracional de apoio ao centro de vida assistida - São Miguel d' Acha: 106300,00 €.

Em 2009, a verba inscrita era de 141970,00 €.
É caso para perguntar: para que serviu esta verba ? Até agora para nada.



A música de S. Miguel d' Acha



(Clicar na imagem)


O que nos faz como somos ? O que nos faz sentir saudades de todas estas melodias ?  O que faz sentir de modo particular esta "cantiga de embalar" ?
Algumas delas foram cantadas por todos nós numa cantiga de roda ou numa festa de amigos...   

Tantos anos depois, acho que "sem ti eu não era o que sou", como diz o prof. António Frade, na crónica "as minhas gentes". Refere Teixeira de Pascoais:
"Sem esta terra funda e fundo rio,
Que ergue as asas e sobe, em claro voo;
Sem estes ermos montes e arvoredos,
Eu não era o que sou." (Cousas e Lousas - Crónicas, 1995).

A música de S. Miguel d' Acha - o Coro "Acra"



A música de S. Miguel d' Acha


Fernando Lopes-Graça - Viagens na minha Terra (1ª  e 2ª suites). Orquestra Filarmónica de Budapeste Direcção de Gyula Németh. DAnova. 1980.

A 1ª suite integra "Em S. Miguel d'Acha, durante as trovoadas, mulheres e homens cantam o Bendito" .
"No descretivismo (descritivismo?) do nº 9 da Suite Primeira («Em S. Miguel d'Acha, durante as trovoadas, mulheres e homens cantam o Bendito»), que mais parece um diálogo entre o ser humano e as forças da natureza contém-se o simbolismo de outras lutas que um povo inteiro tem de enfrentar". (Mário Vieira de Carvalho)

A música de S. Miguel d' Acha


(Clicar na imagem)

As "Recolhas Musicais da Tradição Oral Portuguesa", de José Alberto Sardinha e Vítor Reino, incluem um S. João, de S. Miguel d' Acha.
"O exemplar ora apresentado integra-se no género das «cantigas de adufe», que constituem uma importante parcela do riquíssimo cancioneiro da Beira Baixa, tendo sido recolhido em S. Miguel d'Acha. A melodia é de tipo modal, desenrolando-se no intervalo de um hexacórdio, revestida de uma abundante ornamentação. Devemos assinalar a invulgar perícia da executante do adufe, que parece recrear-se num ritmo vivo e bem marcado, com uma interessante variação coincidente com o final de cada frase. "  José Alberto Sardinha e Vítor Reino.

Recolhas Musicais da Tradição Oral Portuguesa. Contralto. 1982.

sábado, 18 de setembro de 2010

"Sistema"


Esta notícia mostra que em Julho de 2006 se prometia "um sistema de pequenas residências" para os idosos de S. Miguel d' Acha, à semelhança do que acontecia em outras localidades do concelho de Idanha-a-Nova.
As pequenas moradias estão construídas há muito tempo. Foi construído mais um edifício para o mesmo fim. Mas, até agora, está tudo parado e ninguém sabe quando vai abrir o tal de "Centro de Vida Assistida". 
Nem com que valências. Se forem as que estão nesta notícia estamos de acordo. Se não, podem continuar a esbanjar o dinheiro dos contribuintes com respostas que não servem para coisa nenhuma.
Já vamos estando habituados à ideia de que promessa de político é mesmo só para ganhar eleições. Esta situação do "sistema de pequenas residências" mostra que, afinal, "o sistema" é outro.